segunda-feira, 29 de outubro de 2007

De um desejo a uma brisa fria

Novos ventos sopram na casa do PPD/PSD. Muito se aguarda das novas vozes que se fazem ouvir. Simpatizantes ou pouco simpatizantes do PSD, penso que todos percebem que se poderá ter um governo (com maioria) a trabalhar melhor pelos desejos do país se existir uma oposição forte e atenta por forma a acordar o governo. Mas será que podemos esperar destes novos ventos o sabor dos bons ventos que desejamos?

Para quem teve oportunidade de espreitar o semanário o SOL, por certo ficou a temer pela esperança que tinha depositado nesta nova liderança do PSD, se é que alguma vez a teve.

Tudo começa com o apoio, no mínimo criticável, de Luís Filipe Menezes (LFM) para Pedro Santana Lopes (PSL) liderar a bancada do partido na Assembleia da República. Percebe-se que não sendo deputado nacional LFM tivesse que escolher alguém forte e activo para levar as vozes e a mensagem do partido junto do local onde se faz grande parte da política do país. Tal como Marcelo Rebelo de Sousa fizera quando foi líder do PSD e tinha em Marques Mendes a voz forte do partido nos debates na Assembleia. Mas será que não haveria melhor escolha para LFM do que PSL? Vejamos: mediaticamente, PSL pode claramente ofuscar LFM em menos de um ano; politicamente, a avaliar pelo seu passado político, PSL é facilmente atacável, já demonstrou ficar a perder para José Sócrates nas ocasiões em que o defrontou, e é claramente uma figura que não reune consenso dentro de um partido que actualmente se encontra dividido. Contudo, embora ainda não tenha começado verdadeiramente a sua cruzada na Assembleia da República, o semanário SOL fez questão de nos lembrar a fragilidade política deste líder de bancada. Ordem para um pagamento indevido em 3,5 milhões de euros à Bragaparques aquando do final do seu mandato de Presidente de Câmara de Lisboa (embora não se possa atribuir todas as culpas deste caso a PSL), dívidas de 500 mil a publicitários que encomendou quando ocupava o mesmo cargo e uma quantidade inexplicável de assessores que contratou e que actualmente usufruem do seu vencimento enquanto se encontram em casa dispensados do serviço. (http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=63039)

A juntar a estas notícias, tem-se a notícia da já esperada ausência de LFM do Conselho de Estado e as previsíveis dificuldades que o mesmo irá ter em fazer passar as suas políticas junto de um Conselho Nacional do partido onde não tem maioria. E começa já esta terça-feira, onde LFM terá que convencer o respectivo conselho que o melhor para Portugal e para o PSD será defender a ratificação do novo Tratado Europeu por via parlamentar.

Ventos difíceis se avizinham para LFM, para o PSD e, pior do que tudo, para quem se preocupa em ter uma oposição capaz no nosso país. Esperemos que toda a vontade demonstradas por LFM na sua campanha faça mudar estes primeiros ventos frios.

1 comentário:

JFB disse...

O "Jorge" costuma cantar "Portugal, Portugal de que é que tu estás à espera? Tens o pé numa galera, outro no fundo do mar".
Eu digo, Portugal, Portugal, tens os dois pés no fundo do mar...