quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Gralhas!!!

Como estranho esta apetência pelas gralhas... falam, falam, falam, falam...
Ensina a modéstia e o bom senso que, quanto mais alto se encontra o palanque, mais cautela devemos ter na oratória.
É que a altura confere deferência, destaque, e leva-nos a voz mais longe, tornando mais abrangente o universo dos receptores e processadores de mensagem.
E se por um lado, isso nos traz a luz dos holofotes, por outro lado coloca-nos bem no centro da mira...

Vem isto a propósito dos recentes dislates com que temos vindo a ser presenteados pelos que nos vão Justamente governando. Senão, resenhemos:
Notícia: Marinho Pinto é o novo Bastonário da Ordem dos Advogados.
Júdice: Marinho é populista, é demagogo, foi uma má escolha.
Marinho: conto consigo, Dr. Júdice, para me ajudar nesta tarefa que me foi confiada.
Júdice: não conte, que eu só ajudo os que são meus amigos; o Dr. Marinho Pinto não é amigo, logo não tenho nada que o ajudar.
(e com esta prosápia de quem é Justo fomo-nos divertindo... até que o circo mudou de terreiro)

Marinho: há muitos políticos que cometem crimes e não são punidos.
Alípio Dias: o Sr. Bastonário, com a visibilidade que o lugar lhe confere, devia ser mais comedido nas palavras.
Júdice: eu disse que ele era populista! E ainda vai ser pior!
(e Marinho Pinto já diz que não comenta... já percebeu que é preciso vestir o fato à medida da cerimónia...)

Como se não bastasse,
Alípio Dias: Sinto que fomos precipitados quando decidimos arguir os papás da Maddie...
(Marinho calou... mas deve ter gargalhado (cadê a moderação?...) Júdice emudeceu... e deve ter corado)
Rogério Alves remata: 'Quem diz a verdade não merece castigo'. Haverá interesse?!...


Tudo isto teria a sua graça, podendo mesmo servir de guião para um qualquer desgraçado teatro de revista tão português. O problema é que estas personagens foram e são somente titulares de cargos de relevo (no meio do Corso, seguem os 3 últimos bastonários!!!), que obrigam a um conjunto de quesitos, de matriz social, ética e de responsabilidade: Atenção - Auscultação - Ponderação - Reflexão - Moderação - Serenidade.

A continuar assim, por mais reformas que haja, a forma continua a enformar um conteúdo que enferma de mal maior: bolor.

Só não preocupa mais porque é Carnaval! E no Carnaval... ninguém fala de coisas sérias, por decreto presidencial...

Dêem-se uns descontos...

(Itália 3 - 1 Portugal)
Oh, Scolari! "É uma vergônha!"

Apito final.

2 comentários:

JFB disse...

Tens razão Osó. E a tudo isto poderíamos acrescentar os dilates do nosso (felizmente!) ex-Ministro da Saúde, do nosso ainda (e incompreensivelmente!) Ministro das Obras Públicas, do nosso ainda (e inacreditavelmente!) Ministro da Economia, da nossa ainda (e assustadoramente!) Ministra da Educação, etc. Por mais que tente também não consigo entender esta falta de bom-senso, ponderação e tento na língua dos nossos mais altos representantes. Será que "está tudo doido" (como afirma PSL), será que simplesmente não estão à altura dos cargos que ocupam, será que o sistema está em falência, ou será um pouco de tudo?

Daniel Osório disse...

Bem vistas as coisas... será mesmo um pouco de tudo...