sexta-feira, 21 de março de 2008

O Estado da Nação


Ainda não há muitos dias, num daqueles momentos de alheamento em virtude da lei de segregação dos fumadores, rapidamente me vi no meio de uma conversa furtuita com os meus companheiros de ostracismo, mais uma no meio de muitas que vou tendo, sempre que o vício me atira para a rua.


(Fonte: elevadordabica.blogspot.com)

É, de facto, curioso... Ainda "ontem" se dizia mal da nova lei do tabaco, imputando-lhe a morte antecipada das tertúlias em volta de uma mesa de cafés e cigarros. Argumentava-se que as conversas passariam a segundo plano, quando postas em confronto com o vício de fumar... Achei na altura algo ridícula esta "desculpa" para se desculparem os fumadores. Não só não acredito que o pensamento esmoreça pelo vício, como mais grave, só se perde aquilo que se tem e cada vez são menos os momentos de discussão os que se vivem em torno da bica. Os "bicantes" de hoje não entrusam, não se misturam. Introspectam com o jornal ou com a revista, sem sequer darem conta da introspecção do "biqueiro" do lado.

Por isso mesmo acho, hoje, aquela argumentação, mais que ridícula, caricata...

Então não é que foi precisamente o mandar os fumadores para a porta dos cafés que trouxe de novo a conversa entre os estranhos... Acendo o meu cigarro e, à terceira ou quarta passa, já as palavras se misturam, entre a mistura dos fumos.

Começa no tempo, acaba na política, na economia, ou no futebol. Umas mais interessantes que outras, é verdade, mas não são assim todas as coisas da vida?...


Isto, a propósito da tal conversa que apelidei de furtuita logo no início.

Num ápice, éramos sete ou oito, dos vinte e muitos aos cinquenta e poucos. Havia engenheiros, advogados e economistas. Massa heterogénea, como manda a boa tertúlia.
Era bola, passou à política e a economia, à marcha dos indignados e à contra-marcha em forma de comício (foram ambas nesse dia) e rapidamente se discutia a sociedade portuguesa, os seus problemas e os desafios que ela enfrenta. Falou-se dos rostos do passado, dos agentes do presente e da esperança nos do futuro. E a cada problema que se identificava, surgia a discussão sobre as suas causas, que eram em si também problemas, cujas causas se discutiam a seguir.

E, neste exercício de efeito - causa/efeito - causa/efeito - causa, chegámos ao cerne do problema com que se depara a sociedade portuguesa de hoje, dita por muitos em crise. O problema é a Educação. É aí que nascem os "erros desprezáveis" que, por sua propagação, conduzem aos desvios, esses nada desprezáveis.
De facto, comecemos nós por onde começarmos, vamos sempre dar de caras com a mesma causa: temos défice de Educação, falhamos ao nível da formação pessoal, desconsideramos o jogo dos valores, invertendo as suas prioridades e pesos.

Não falo de Educação/Saber, mas de Educação/Ser. Não são os Professores a causa, mas antes a outra Escola, e o Encarregado de Educar. É em casa que começa, ou melhor, não começa...


E porquê?... Deste, ainda não me convenci da causa...


NR: em jeito de desabafo... que será de tudo isto com jovens como os da Carolina Michaelis... Wrestling e Tarantinos rasca, muito rasca...

Sem comentários: