(Fonte: elevadordabica.blogspot.com)
É, de facto, curioso... Ainda "ontem" se dizia mal da nova lei do tabaco, imputando-lhe a morte antecipada das tertúlias em volta de uma mesa de cafés e cigarros. Argumentava-se que as conversas passariam a segundo plano, quando postas em confronto com o vício de fumar... Achei na altura algo ridícula esta "desculpa" para se desculparem os fumadores. Não só não acredito que o pensamento esmoreça pelo vício, como mais grave, só se perde aquilo que se tem e cada vez são menos os momentos de discussão os que se vivem em torno da bica. Os "bicantes" de hoje não entrusam, não se misturam. Introspectam com o jornal ou com a revista, sem sequer darem conta da introspecção do "biqueiro" do lado.
Por isso mesmo acho, hoje, aquela argumentação, mais que ridícula, caricata...
Então não é que foi precisamente o mandar os fumadores para a porta dos cafés que trouxe de novo a conversa entre os estranhos... Acendo o meu cigarro e, à terceira ou quarta passa, já as palavras se misturam, entre a mistura dos fumos.
Começa no tempo, acaba na política, na economia, ou no futebol. Umas mais interessantes que outras, é verdade, mas não são assim todas as coisas da vida?...
Isto, a propósito da tal conversa que apelidei de furtuita logo no início.
Num ápice, éramos sete ou oito, dos vinte e muitos aos cinquenta e poucos. Havia engenheiros, advogados e economistas. Massa heterogénea, como manda a boa tertúlia.
Era bola, passou à política e a economia, à marcha dos indignados e à contra-marcha em forma de comício (foram ambas nesse dia) e rapidamente se discutia a sociedade portuguesa, os seus problemas e os desafios que ela enfrenta. Falou-se dos rostos do passado, dos agentes do presente e da esperança nos do futuro. E a cada problema que se identificava, surgia a discussão sobre as suas causas, que eram em si também problemas, cujas causas se discutiam a seguir.
E, neste exercício de efeito - causa/efeito - causa/efeito - causa, chegámos ao cerne do problema com que se depara a sociedade portuguesa de hoje, dita por muitos em crise. O problema é a Educação. É aí que nascem os "erros desprezáveis" que, por sua propagação, conduzem aos desvios, esses nada desprezáveis.
De facto, comecemos nós por onde começarmos, vamos sempre dar de caras com a mesma causa: temos défice de Educação, falhamos ao nível da formação pessoal, desconsideramos o jogo dos valores, invertendo as suas prioridades e pesos.
Não falo de Educação/Saber, mas de Educação/Ser. Não são os Professores a causa, mas antes a outra Escola, e o Encarregado de Educar. É em casa que começa, ou melhor, não começa...
E porquê?... Deste, ainda não me convenci da causa...
NR: em jeito de desabafo... que será de tudo isto com jovens como os da Carolina Michaelis... Wrestling e Tarantinos rasca, muito rasca...
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