Vou continuar a falar de desporto, mas agora com assuntos mais laterais.
Ontem fui ver o que para mim é o melhor evento desportivo anual em Portugal - o Estoril Open. Tive a oportunidade de ver a minha grande referência desportiva a escassos 10 metros de mim. Lá estava, Roger Federer com a sua fita à cabeça. O Federer não jogava ontem, todos sabiam. Mas também todos sabiam que algures durante o dia ele viria treinar num dos campos de treino do Estoril. Todo o mundo estava ansioso por ter a oportunidade de o ver.
Mas como eu disse, não é sobre o desporto em si que vou falar. Mas sim, de uma atitude normal em Portugal (sem querer generalizar) que me deixa particularmente exasperado. Algures durante a manhã do dia de ontem, enquanto aguardava no acesso a um dos campo do Jamor que dessem sinal de entrada ao público, o meu vizinho do lado, com os seus trinta anos, mas de forma inocente ou descuidada, perguntou ao seu colega de viagem:
- Então, mas quando é que o Federer treina?
- Shuit! Cala-te! - apreçou-se a dizer o colega de forma algo preocupada ou indignado pela pergunta incómoda do meu vizinho de fila. Tratou logo de o puxar para fora da fila e de lhe pregar um valente ralhete (em voz baixa, mas suficientemente alta para eu conseguir ouvir o que diziam):
- Tu sabes o que acontece se as pessoas sabem quando ele vai treinar!? Chegamos ao campo antes de nós e não vamos conseguir ver nada. Foi o "Manuel" que me disse isso e não podemos deixar que ninguém saiba.
Fiquei sem saber a preciosa informação que os meus companheiros de fila tão preciosamente guardavam. Mas como esperava, bastaria andar pelas "ruas" do Estoril Open para perceber se o Federer estaria a treinar o não, tal seria a movimentação que esse acontecimento causaria. E assim foi. Vi o Federer quando passava junto a um dos campos de treino. Eu, e praticamente todos os que tiveram oportunidade de ir ao Estoril no dia de ontem. Houve espaço e tempo para todos verem quem queriam ver.
Esta noção de falso poder que algumas pessoas procuram, guardando tudo quanto possa ser considerado como informação útil ao "adversário", faz desaparecer entre muitos de nós a perspectiva de sociedade e convivialidade que deveríamos praticar.
É claro que este exemplo é apenas ilustrativo deste mau hábito. É certo que a informação nem era assim tão valiosa como o detentor julgava ser, nem se tratava de nada verdadeiramente importante. No entanto, por vezes perdem-se muitas oportunidades com este estilo mesquinho e "umbigo-"centrista que tanto me irrita. Na minha vida profissional já assisti a vários exemplos deste tipo de procedimento. Em vez de haver partilha de informação entre pares, há um jogo de esconde-esconde prejudicial para o global (lá está, aqui entram as ditas "sinergias inerentes"...). Esta forma de pensar no melhor individual em detrimento do melhor colectivo, mesmo que esse melhor colectivo até resulte num maior proveito individual do detentor da informação, é algo difícil de entender e fácil de encontrar no nosso Portugal, prejudicando-nos tantas vezes.
Ontem fui ver o que para mim é o melhor evento desportivo anual em Portugal - o Estoril Open. Tive a oportunidade de ver a minha grande referência desportiva a escassos 10 metros de mim. Lá estava, Roger Federer com a sua fita à cabeça. O Federer não jogava ontem, todos sabiam. Mas também todos sabiam que algures durante o dia ele viria treinar num dos campos de treino do Estoril. Todo o mundo estava ansioso por ter a oportunidade de o ver.
Mas como eu disse, não é sobre o desporto em si que vou falar. Mas sim, de uma atitude normal em Portugal (sem querer generalizar) que me deixa particularmente exasperado. Algures durante a manhã do dia de ontem, enquanto aguardava no acesso a um dos campo do Jamor que dessem sinal de entrada ao público, o meu vizinho do lado, com os seus trinta anos, mas de forma inocente ou descuidada, perguntou ao seu colega de viagem:
- Então, mas quando é que o Federer treina?
- Shuit! Cala-te! - apreçou-se a dizer o colega de forma algo preocupada ou indignado pela pergunta incómoda do meu vizinho de fila. Tratou logo de o puxar para fora da fila e de lhe pregar um valente ralhete (em voz baixa, mas suficientemente alta para eu conseguir ouvir o que diziam):
- Tu sabes o que acontece se as pessoas sabem quando ele vai treinar!? Chegamos ao campo antes de nós e não vamos conseguir ver nada. Foi o "Manuel" que me disse isso e não podemos deixar que ninguém saiba.
Fiquei sem saber a preciosa informação que os meus companheiros de fila tão preciosamente guardavam. Mas como esperava, bastaria andar pelas "ruas" do Estoril Open para perceber se o Federer estaria a treinar o não, tal seria a movimentação que esse acontecimento causaria. E assim foi. Vi o Federer quando passava junto a um dos campos de treino. Eu, e praticamente todos os que tiveram oportunidade de ir ao Estoril no dia de ontem. Houve espaço e tempo para todos verem quem queriam ver.
Esta noção de falso poder que algumas pessoas procuram, guardando tudo quanto possa ser considerado como informação útil ao "adversário", faz desaparecer entre muitos de nós a perspectiva de sociedade e convivialidade que deveríamos praticar.
É claro que este exemplo é apenas ilustrativo deste mau hábito. É certo que a informação nem era assim tão valiosa como o detentor julgava ser, nem se tratava de nada verdadeiramente importante. No entanto, por vezes perdem-se muitas oportunidades com este estilo mesquinho e "umbigo-"centrista que tanto me irrita. Na minha vida profissional já assisti a vários exemplos deste tipo de procedimento. Em vez de haver partilha de informação entre pares, há um jogo de esconde-esconde prejudicial para o global (lá está, aqui entram as ditas "sinergias inerentes"...). Esta forma de pensar no melhor individual em detrimento do melhor colectivo, mesmo que esse melhor colectivo até resulte num maior proveito individual do detentor da informação, é algo difícil de entender e fácil de encontrar no nosso Portugal, prejudicando-nos tantas vezes.
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