sábado, 19 de abril de 2008

Será a gripe das aves?

No espaço de uma semana, tudo se esfrangalhou!
A gripe das aves chegou a Portugal. Só pode.

O Boavista esfrangalha-se...
O Benfica esfrangalha-se...
O Português "tá ficando" esfrangalhado...
O PSD re-esfrangalha-se...

Tudo em apenas uma semana.

No Bessa, surgem as evidências do que já sabia: o futebol vive bem acima das suas possibilidades e os efeitos, ainda que maquilháveis por algum tempo, acabam sempre por se sentir.
O que é menos evidente e mais preocupante é assistirmos ao surgimento de um salvador disposto a "investir" 39 milhões num clube falido... e ninguém desconfiar!
Quando soube das intenções do benfeitor, comentei junto de amigos: "Se um tipo tem 39M€ para gastar em Bola... hummm... Dá para desconfiar...". Foi o que se viu.

Mas fica-me a incógnita: se o negócio não tivesse dado para o torto, teriam as nossas autoridades investigado tamanha bonomia?... Resta-me confiar que sim...


O Benfica vai de vento em popa... "Áparte" os clubismos, a SEDES bem que tinha razão: o país está à beira de uma crise social profunda... Com 6 milhões de Benfiquistas deprimidos, o país ressente-se... Mesmo.


O Português, nossa língua e nossa pátria, vê-se a braços com a necessidade de se harmonizar com as variantes que dele derivaram ao longo de séculos, perdendo assim um pouco da sua identidade.
Confesso que me sinto algo incomodado com o ter que mexer nas palavras que me ensinaram no banco da escola. Apesar de reconhecer o argumento de que podemos ter mais a ganhar que a perder com a harmonização da língua. Mas quer-me parecer que não é essa a prioridade no campo da lusofonia.
A fonia é de facto a "evidência" da ligação entre Portugal, Brasil e os PALOP, mas por detrás dos sons está a História comum, as raízes comuns, os passados cruzados e as perspectivas de aprofundamento de relações. É aí que temos que investir massivamente em aproximação, se Portugal se quer afirmar no Mundo lusófono. Só com reforço dos investimentos económicos, dos projectos culturais, das subsidariedades na educação e na saúde, Portugal pode afirmar-se verdadeiramente como pólo que aglutina a diversidade do Mundo lusófono. É exportando conhecimento, ciência, capital que reconquistamos, pacificamente, os territórios que serão sempre nossos. Sem isso, não é o instrumento da língua única que "façará" a diferença.


Quanto ao PSD, ainda a procissão vai no adro...
Recordo-me de, há seis meses atrás, ouvir os meus camaradas socialistas dizerem que uma vitória de Menezes seria prejudicial ao PS, na medida em que este representaria uma nova forma de fazer oposição, mais dura. Passar-se-ia do estilo low profile de Marques Mendes para um estilo hard, mais agressivo e acutilante, logo mais incómodo para o partido de poder. Discordei. Nunca vi no Dr. Menezes os atributos próprios de um Líder. E era expectável este desfecho.

No entanto, quer-me parecer que os danos provocados por esta crise num partido de poder serão maiores que o desejável. Crises partidárias são normais e salutares, pois obrigam à reflexão e ao rejuvenescimento, à mudança dos protagonistas e à reciclagem dos programas e das soluções. Mas este PSD não vai por aí...
Após o bater com a porta, afinal ela pode abrir-se de novo... Assim haja vaga.
E os detractores desta liderança permanecem nas trincheiras, sem se assumirem verdadeiramente como parte da solução, após geração do problema, o que revela falta de saúde na estrutura.

Mais.
Estamos perante um Partido cujas bases se revêem na liderança escolhida, mas cuja liderança não consegue condições para liderar. E um Partido que corre o risco de se ver forçado a escolher uma liderança na qual não se revê.
Este é um novo fenómeno que deve preocupar-nos: os Partidos são o garante da Democracia, mas a Democracia nos Partidos pode não funcionar. Preocupante...

Aguardemos pelos próximos dias... As novidades abundarão.

2 comentários:

Bruno Santos disse...

Caro Osó,

Esqueceste-te do nosso Presidente da República que se esfrangalhou esta semana por terras madeirenses. Haveria necessidade para isso?

Quanto ao PSD, já pouco acredito, mas vamos lá ver quem avança para a Liderança. Se for uma figura de peso esta crise no PSD será prejudicial para o PS (e benéfica para o país, diria eu). Para o PSD, esta mudança só peca por ser ainda um pouco cedo. Era preciso queimar ainda um pouco mais e lançar em apogeu um "salvador" do centro direita (se isso ainda existe)- ter um novo líder apenas meia-dúzia de meses antes das próximas eleições.

JFB disse...

Os partidos são necessários (inevitáveis!) em democracia mas não são o garante da democracia. Apenas garantem a alternância de poder.
O garante da democracia são e serão sempre os cidadãos!