Eis-nos em 2008.
Curioso como as últimas horas de 200... nos dão alento e certeza que tudo será diferente em 200...+1, bastando para isso que as doze badaladas se somem. Badaladas... quem as ouve ainda, afinal?
Nos últimos dias de 2007, soubemos que a morte nas estradas portuguesas é, afinal, apenas isso mesmo: morte nas estradas. Todos quantos morram nos dias seguintes não contarão para as estatísticas. Estarão apenas representados nos 17% que se somam aos do asfalto.
Critério estranho, mas ainda assim aceitável.
O que já não se compreende é o facto de continuarmos, insistentemente, a comparar os números de mortes nas estradas com os relativos ao ano anterior.
No final do primeiro dia de "Operação Ano Novo" das autoridades, já se ouviam nos media as comparações: menos um morto que igual período do ano transacto, mais três feridos graves e menos não sei quantos feridos ligeiros.
Como é possível? Não entendo.
Basta ver o seguinte:
Dez/2007: acidente na A1 entre um monovolume e uma carrinha de 9 lugares. Acidente aparatoso, nevoeiro, excesso de velocidade.
Estatísticas: 2 mortos, os dois condutores. Mais ninguém seguia nos automóveis.
Dez/2006: acidente na A1 entre um monovolume e uma carrinha de 9 lugares. Acidente aparatoso, nevoeiro, excesso de velocidade.
Estatísticas: 8 mortos, três seguiam a bordo do monovolume, cinco eram familiares que seguiam na carrinha. Há ainda a lamentar quatro feridos graves.
Acho que ficou claro...
Urge que as comparações passem a fazer-se poderando: número de acidentes por milhar de carros em trânsito, número de ocupantes por carro em trânsito, número de mortos por milhar de ocupantes em trânsito, ...
Só com indicadores deste tipo poderemos dar uso às estatísticas, ser consequentes.
Só assim conseguiremos saber para onde vamos, em matéria de sinistralidade rodoviária.
Bom ano 2008.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
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