Oito de Janeiro de 2008.
Em números: 8-1-8. Dá capicua. Sempre gostei de capicuas.
Uma capicua é um número que se caracteriza porque lido da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda vai dar ao mesmo.
Pois nesta data capicua, eis que esquerda e direita nos põem a pensar...
À Direita foi mais ou menos assim:
"Como é possível o Estado dar, através de um banco público, 200 milhões de euros a uma pessoa para comprar acções, jogando no mercado especulativo, e esse mesmo Estado não ter 19 euros para dar aos milhares de pensionistas..."
Pérola do populismo menezista!!!
(Sempre fui de opinião que, quanto mais tempo de antena se der a Luís Filipe Menezes, mais este se revela... para bem do PS e do Governo... para mal do PSD e do País...)
No mesmo tom que Luís Filipe Menezes (LFM), pergunto:
Como é possível o candidato a timoneiro do Estado "confundir" desta forma assuntos tão diversos?
Onde está a relação conexa entre operações da CGD e decisões políticas da Segurança Social?...
Tanto quanto sei, a Caixa Geral de Depósitos, apesar de ser um banco público, é uma instituição financeira que está no mercado de igual para igual com os seus concorrentes privados. Nessa lógica, compete-lhe, como a qualquer outra instituição financeira, definir estratégias e criar mercados que garantam a criação de valor para os seus accionistas.
Mais. Sendo a CGD um banco público, a mais valia decorrente do negócio reverte a favor do seu único accionista: o Estado. E o Estado não é mais que o conjunto dos cidadãos.
Então, será lógico afirmar que o empréstimo (LFM disse "dar"... erro involuntário de semântica... pois...), dizia eu ser lógico afirmar que o empréstimo a Berardo gerará, através dos juros, maiores valias que revertem a favor do Estado e que são, posteriormente, usadas para o desempenho das funções deste mesmo Estado: serviços à sociedade.
Bom, visto assim, até parece bom negócio... Não acha, Sr. Menezes?
Mas, confesso, não me surpreendeu. Ouvi-o dizer que os portões das fábricas que fechassem podiam contar com a sua presença. Mais tarde ouvi-o (li-o) dizer que fazer o que disse seria uma atitude populista. Um mês depois vi-o à porta da fábrica...
À Esquerda:
"José Sócrates já terá comunicado ao Presidente da República a sua intenção de ratificar o Tratado de Lisboa pela via Parlamentar, ao contrário do seu compromisso eleitoral confirmado no Programa de Governo".
Mais uma promessa não cumprida, para juntar a muitas outras...
Concordo, já o disse, com a decisão de não haver Referendo, mas interrogo-me sobre o porquê de esta ter sido uma promessa eleitoral. Não faz sentido fazer Referendo hoje, como já não fazia sentido fazê-lo em 2005...
Mais. Estou convicto que nenhum voto conquistado pelo PS nas últimas legislativas se ficou a dever a esta promessa. Seria curioso fazer-se este estudo... Certamente, concluir-se-ia pela inocuidade da promessa (o mesmo não se pode aplicar à decisão do seu incumprimento: em boa hora se decide pelo não referendar).
O que fica é a necessidade de reflectir sobre as promessas.
Pesar os benefícios que algumas nos trazem e os custos que advêm de as não honrar. Muitas vezes, dá mau negócio...
E mais. Aquilo que podia ser hoje visto como uma atitude responsável, solidária e sinónimo de estratégia comum entre parceiros europeus, acaba por ser toldado pelo estigma nacional do "é mais uma por cumprir".
Sem necessidade.
Foram duas notícias de rádio, em dia de capicua. Tanto faz começar pela direita como pela esquerda... Mas não.
À Direita, de populismo em populismo para o abismo.
À Esquerda, mais valia ter estado calado... em 2005.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Derivas populistas e Promessas engavetadas
Etiquetas:
CGD,
Luís Filipe Menezes,
Política Nacional,
PS,
PSD
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2 comentários:
Boa tarde meus queridos Engenheiros:
Desculpem lá a liberdade do "queridos", mas visto que tive que vos "aturar" durante quase um ano no nosso (vosso) apartment, acho que queridos vos assenta bem...
Foi com surpresa que descobri este vosso cantinho (obrigada Rita, se não eras tu ninguém me dizia nada...) do qual me vou tornar leitora assídua, por isso toca a post'ar aí à grande para eu ter com que me entreter...
Muitas beijokas para todos e até breve...
Marta Isidoro
P.S - Priminho estás lá... se continuas assim qualquer dia arranjo-te uma coluna num jornal de renome...tipo Tal-e-Qual (ou este acabou??????). Beijo
Obrigado.
Mas o Tal & Qual foi... já não é...
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