quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O país está a mudar!

O país está a mudar! Sim, o país está a mudar! E não me refiro à recente remodelação governamental. Essa é, para mim, uma mudança com pouca relevância para o país. Mas sobre isto falarei numa outra oportunidade. O país está a mudar! Interessa agora entender o porquê da mudança e as razões do meu regozijo.

Tudo na vida tem altos e baixos. A política também. E a nossa tem estado definitivamente por baixo. Pensemos em conjunto. Numa democracia representativa seria lógico e desejável que os representantes dos cidadãos fossem alguns dos mais inteligentes, qualificados, sensatos e honestos cidadãos do país, certo? Seria apropriado que os decisores políticos tivessem dado provas de grande capacidade e responsabilidade em determinados sectores, que não a política, no percurso das suas vidas (tenham elas sido mais ou menos longas). Correcto?

Será isto que se passa no nosso país? Não me parece. E o melhor exemplo vem bem de cima. Se bem que lhe reconheço algumas capacidades, nomeadamente inteligência, pergunto-me: Que percurso percorreu o cidadão José Sócrates para chegar onde chegou? Que provas deu ele para merecer ocupar o cargo com mais influência na vida dos cidadãos e no desenvolvimento deste país? Em que se destacou? Que funções desempenhou com sucesso?
A sua biografia está disponível em:
Retirando os cargos políticos o que fica?
Um enorme vazio...

É minha forte convicção que a política não pode ser vista como um sector de especialização. Não se pode ser político e mais nada. Acredito que todo o cidadão constitui uma entidade política, na medida em que todo o cidadão paga impostos e tem, obviamente, uma opinião própria sobre onde deveria ser gasto esse “seu” dinheiro. Assim, a política deveria ser feita por todos. Ora, digo eu, nestes últimos tempos a política tem sido exercida maioritariamente por “políticos profissionais” - pessoas que vivem, não para a política, mas da política. Pessoas que, todos os dias, de todos nós se alimentam. E os resultados estão bem à vista – desigualdade crescente na distribuição da riqueza e grandes assimetrias e injustiças sociais.

Mas o país está a mudar! A sociedade civil está a mudar – inconformada com a avareza de poder e a arrogância destes abutres políticos, começa a manifestar-se e a fazer-se ouvir. Ora vejamos:

- Manuel Alegre candidata-se à Presidência da República, sustentado por um enorme movimento de cidadãos. Obteve um resultado significativo e o movimento persiste.

- Helena Roseta avança para a Câmara Municipal de Lisboa, também ela sustentada na sociedade civil. Mais um resultado considerável.

- a sociedade civil (aqui admito que haja quem discorde) insurge-se contra a leviandade com que se tomam decisões de milhares de milhões sobre os maiores investimentos públicos a realizar nos anos vindouros – falo obviamente do novo aeroporto internacional e da alta velocidade. Também aqui se alcançaram resultados.

- as populações insurgem-se contra a política de fecho de maternidades, SAP, e urgências, sem a criação de alternativas válidas, um pouco por todo o país. Grandes vozes do partido do governo também se levantam – Mário Soares, Manuel Alegre, António Arnaut. O Ministro já caiu. Vamos ver se a política muda.

- o Presidente da República questiona-se sobre os salários elevados dos gestores privados e celeridade da justiça.

- Marinho Pinto, o novo Bastonário da Ordem dos Advogados, afirma que tem havido corrupção e promiscuidade nas altas esferas do governo. Afirma que “Há aí uma criminalidade em Portugal muito importante, da mais nociva criminalidade para o Estado, para a sociedade, e que andam aí impunemente e alguns deles andam aí a exibir os benefícios e os lucros dessa criminalidade.” e que “Muitas pessoas que actuam em nome do Estado e cuja principal função seria acautelar os interesses públicos acabam mais tarde por trabalhar para as empresas ou grupos que beneficiaram com esses negócios”. Não me parece necessário nomear, pois muitos casos são do domínio público, mas sim combater. Esta é provavelmente a batalha mais difícil que o país terá de enfrentar num futuro próximo.

Muito mais poderia ser dito. Faço minhas as palavras de José Leite Pereira no Jornal de Notícias (11-01-2008) "Na política viram-se muitas casacas, com pouca decência e nenhuma vergonha. Não é que pensem que ninguém dá por isso. Simplesmente há quem tenha cara para viver assim.". Mas, felizmente, já se vislumbram ventos de mudança. Talvez não seja para muito breve a desejada mudança, mas vai acontecer. Ninguém aguenta tanto sem se revoltar. O país está a mudar!

Sem comentários: